Cada ser é uma história diferente para contar – Minha trajetória pt. 1

Meu nome é Larissa Rodrigues, tenho 18 anos e pela primeira vez na vida eu luto por algo grande. Antes de ir direto ao ponto peço que fique numa posição confortável pra “ouvir” a minha história que é longa.

Desde pequena eu sempre admirei tudo e todos, pra mim cada profissão tem sua importância e beleza, o que me fazia querer fazer de tudo que você conseguir imaginar. O tempo foi passando, fui crescendo e , assim como muitas pessoas, sendo bombardeada por crenças limitantes, o que me fazia continuar achando tudo lindo, mas também achando que nada disso nunca seria pra mim. Aos 13 anos me apaixonei por psicologia, lia livros, via vídeos, aos 15 eu continuava apaixonada mas parecia muito distante de mim. Aos 16 eu só queria vender minha arte na praia, eu não sabia sobre vestibular, ENEM, SISU ou qualquer coisa relacionada a isso, eu não ouvia ninguém dizer sobre, não sabia pra que servia e nem do porquê de me envolver com esses nomes estranhos.

Aos 17 eu estava no final do segundo ano do Ensino Médio e resolvi procurar saber sobre tudo isso porque meus professores passaram a perguntar frequentemente sobre quem ia fazer ENEM e quem ia tentar sei lá o que. Depois de muitos cliques no Google eu decidi que ia tentar esse bendito ENEM, (antes de eu ver que a prova era 80 reais e que eu não tinha conseguido a isenção) . Decidi deixar pra lá, até porque eu estava no segundo ano e a nota não serviria pra nada ( fora que eu tinha ZERO base em todas as matérias, embora eu fosse uma “boa aluna”).

Iniciei meu terceiro ano já pensando em dar um jeito de fazer essa prova, tentei me organizar e ver como começaria tudo isso sem zero noção de como era a prova, do que precisaria estudar, de como estudar e como ter um horário/cronograma de estudos. Baixei o cronograma do Felipe Araújo como todo bom vestibulando que estuda sozinho e busca por refúgio na Internet. Encadernei e coloquei perto do computador  (e assim ficou pelo resto do ano).

Uma semana antes do período de inscrições do ENEM 2019 eu já tinha era desistido da ideia, não queria mais saber de fazer prova. Apertei essa tecla todos os dias até o dia do pedido de isenção
que acabei mudando de ideia depois de chamarem minha atenção e me convencerem a tentar. Fiz a inscrição, mas nada mais. Eu ainda não estudava e não estava muito animada pra fazer isso se tornar minha realidade. Alguns meses antes da minha primeira prova eu já tinha feito meu pedido de isenção (que foi aprovado), feito minha inscrição, visto vários vídeos relacionados ao ENEM e descobri que tinha que fazer uma bendita redação da pior forma possível: vendo todo mundo falando que era um bicho de 7 cabeças. Fiquei feliz por não ter dificuldade em escrever e triste por saber que tinha toda uma estrutura a ser seguida e que eu nunca tinha nem visto. Comecei a procurar por essa estrutura, a entender e a escrever minhas primeiras redações. ” Já que eu não vou estudar nada vou pelo menos estudar redação pra conseguir ir me aperfeiçoando pra quando eu for tentar pra valer” foi o que pensei, embora ainda não soubesse qual curso iria escolher.

O dia do ENEM chegou e pro meu azar senti no meu corpo o reflexo da minha ansiedade, era um momento diferente na minha vida, eu ia tentar algo novo num lugar que eu nunca tinha ido. Pra mim isso já era o maior desafio. Assim que abri a prova fui direto na redação, selecionei informações, dados, fiz um pequeno e rápido “brainstorm” e cheguei em casa arrasada por ter chutado a prova toda do 1° dia e não ter colocado uma palavra sequer na minha folha de redação ( exceto meu nome e meus dados – e foi assim que tirei zero na minha primeira redação do ENEM). Se o que eu tava um pouco confiante não deu certo, o que eu devia esperar de algo que desde o inicio eu sabia que ia dar errado? Fui no 2° dia por me sentir obrigada a terminar o que comecei, mas tudo bem, minhas expectativas eram baixas.

Depois do choque da primeira experiência continuei não estudando para o ENEM, mas já pensando em como eu faria pra começar a estudar quando eu terminasse o ensino médio. Em 2019 finalizei meu terceiro ano. Em 2020 comecei a tentar me organizar sozinha pra começar a estudar em casa e até então eu tento correr atrás ( nem que for um pouco) todos os dias pra alcançar o que se tornou meu sonho: cursar Medicina na UFRJ. Durante alguns dias me senti cansada mentalmente, desanimada e sem forças. E se você estiver passando por isso (ou já passou) sabe o quanto isso ajuda pra sua autossabotagem. Não tenho familiares que me apoiem pelo fato de eu não ter contado pra ninguém o que eu quero (as crenças limitantes que receberam conseguiram se enraizar tão forte neles quanto em mim, eu viraria motivo de zombaria). E tudo bem, isso me fez ser mais forte e evoluir em todos os aspectos da minha vida.
As vezes parece ser difícil conseguir, parece longe, mas eu sei que apesar de tudo eu tento fazer o que posso.
Não sou super-mulher, e você também não deve ser um super humano, mas que tenhamos a capacidade de passar por cada desafio e sair mais forte. Não desista do seu sonho, da sua meta, do seu objetivo. Pode parecer que é impossível, que tudo no mundo está contra você, que nada nunca vai dar certo, mas confie em mim (e em você), só não vai dar certo se você desistir.

 

 

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