Literatura: Amor e natureza no Arcadismo

O Arcadismo, Setecentismo (a estética dos anos de 1700) ou Neoclassicismo é o período que caracteriza principalmente a segunda metade do século XVIII, tingindo as manifestações de arte com uma nova tonalidade burguesa. O que se vive nesse momento, no chamado Século das Luzes é o Iluminismo burguês que preparava o caminho para a Revolução Francesa. O pensamento barroco entra em decadência na metade do séc. XVIII, e para tal, colaboram os seguintes fatores: a burguesia ascendente, voltada para questões mundanas, deixava em segundo plano a religiosidade que permeava o pensamento barroco: também havia cansado ao público o exagero da expressão barroca.

O combate ao verbalismo literário conferiu à Arcádia Portuguesa um caráter polêmico de renovação em prol de uma literatura mais simples, mais natural, de acordo com os ideais do século, que preconizava a busca do que chamava a natureza por meio da valorização dos sentimentos, da clareza nas idéias e da imitação estrita dos antigos escritores gregos e romanos (Horácio, Vergílio, Ovídio, Anacreonte, entre outros).

É sabido por todos que ao se renovarem os gostos literários (a passagem de um período a outro) entram em choque os ideais artísticos, fazendo uma espécie de quebra com o último e resgate de certos traços anteriores a esse último que com ele havia rompido. Os escritores arcadistas prezam o retorno dos ideais espirituais e artísticos do Classicismo ou Renascimento (séc. XVI), daí o termo Neoclássico. Desta forma, há no Arcadismo um enorme desejo de simplicidade intelectual (que se baseava na influência do racionalismo filosófico) aliada à simplicidade afetiva, que reconhecia a dignidade e beleza que pode haver na manifestação das emoções.

Em relação ao momento histórico, a burguesia, que, enfim, havia atingido a hegemonia econômica, até então nas mãos da monarquia, passa a lutar pelo poder político. Combatendo seus valores, cultivará o ideal do “bom selvagem” (Rousseau) em oposição ao homem corrompido pela sociedade, empregando o termo fugere urbem = fugir das cidades, valorizando, assim, o bucolismo oriundo do contato e da vida na natureza, onde é possível viver de forma simples e dar ao amor a mesma simplicidade de emoções.

No Brasil, didaticamente, temos como a data inicial do Arcadismo o ano de 1768. Há dois fatos marcantes para tal: a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, e a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa. A escola setecentista desenvolve-se até 1808 (ano de chegada da Família Real no Brasil), sendo substituída pelo pensamento pré-romântico. É prudente lembrar que o Arcadismo conferiu à literatura brasileira uma tonalidade universal, sendo o primeiro momento em que passamos a adquirir no país características orgânicas de um sistema literário composto de autor-obra-público. Assim como também é importante salientar que historicamente a Inconfidência Mineira está intimamente relacionada ao período, visto que muitos de seus escritores nela estiveram envolvidos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *